Foz Côa – Um Património Superior

O artigo que agora vos escrevo leva-nos até ao berço do Douro Superior, mais concretamente até Vila Nova de Foz Côa, onde decorreu no passado fim-de-semana a 6ª Edição do Festival do Vinho do Douro Superior. Certame, organizado pelo Município de Foz Côa e produzido pela revista VINHO-Grandes Escolhas, que contou com a presença de 68 produtores de vinho da região. A tarefa de resumir tudo aquilo que tive a oportunidade de vivenciar e aprender não foi nada fácil.

São apenas 400, os quilómetros que separam Lisboa de um concelho que alberga nas suas margens dois Patrimónios Mundiais da Unesco, um motivo mais do que suficiente para planear uma visita. No entanto, existe um outro património que facilmente nos esquecemos, as pessoas, gentes que trabalham diariamente cada socalco, cada pedaço de terra de um legado que cresce a olhos vistos, é para essas mesmas pessoas que segue uma palavra de apreço.

Vamos então às boas-vindas dadas a bordo do “Senhora da Veiga”, um barco rabelo, que fez questão de nos mostrar o cenário idílico do Douro Superior, uma viagem ao sabor dos vinhos do Palato do Côa. Um projecto a cargo da sociedade 5 Bagos e do enólogo Carlos Magalhães que explicou os detalhes de cada referência. Destaque para o seu Códega do Larinho que acompanhou um belo bacalhau e refrescou as hostes neste dia de calor. Passeio terminado, tempo de regressar a Foz Côa para estrear o dito festival, sim porque isto não foi só passear, houve todo um trabalho de pesquisa!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Se era fã das castas brancas nacionais, passei a ser um defensor acérrimo dada a tamanha qualidade que por aqui se produz e passo a citar o que me ficou na memória, ‘Viosinho’ e ‘Centenário’, dois ensaios soltos de Márcio Lopes que merecem um grande aplauso, ‘Mapa Vinha Clara’ de Pedro Garcias, um hino aos vinhos brancos do Douro Superior, ‘Golpe Branco’ de Carvalho Martins, pura frescura, e por último ‘Os Xistos Altos 2013’ e o ‘Cisne’ de Muxagat, duas referências que me encheram as medidas. E isto foi só para começar, porque à nossa espera tínhamos a enóloga Rita Marques para nos mostrar a sua nova adega e os seus vinhos Conceito.

E se há conceito que gosto é aquele que nos foi proporcionado à mesa nessa noite, comida divinal e vinhos soberbos onde destaco o espumante Conceito criado a partir da casta austríaca Gruner Veltliner, desconhecia por completo, mas gostei bastante, assim como, os dois Conceito branco e tinto. Sem dúvida, um momento para mais tarde recordar, não fosse ter a sorte de saborear o melhor leite creme de todos os tempos! Tenho a certeza que há por aí algumas pessoas que vão concordar comigo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Tempo de descanso, porque a manhã seguinte adivinhava-se exigente com o Concurso de Vinhos do Douro Superior. Seis copos à minha frente e um grupo de pessoas fantásticas que me ajudaram bastante nesta missão de seleccionar os melhores dos melhores entre os 153 vinhos colocados à prova. Foi realmente uma experiência única que me orgulho de ter feito parte. Deste Concurso saíram 48 medalhas (16 de ouro e 32 de prata) e 3 diplomas de Melhor Vinho do Festival, ‘Quinta da Pedra Escrita branco 2015’, de Rui Roboredo Madeira Vinhos, ‘Quinta da Touriga Chã tinto 2014’, de Jorge Rosas Vinhos, e ‘Cockburn´s Quinta dos Canais Porto Vintage 2007’, de Symington Family Estates.

Após “descanso do palato”, a comitiva seguiu até à Duorum onde nos esperava José Maria Soares Franco. Não vou falar do sítio porque aquela paisagem é indescritível, mas posso falar sim daquelas amêndoas fabulosas que nos receberam e dos Duorum Colheita que casaram na perfeição com o repasto proporcionado. Destaque ainda para o Duorum Porto Vintage 2011 que fechou este almoço soberbo. Sem tempo a perder, regresso a Foz Côa para conhecer mais alguns produtores da região. Destaque para os ‘Moinhos do Côa’ de Artur Rodrigues, um branco e um tinto com uma excelente relação qualidade-preço e para os ‘Tawny 10 anos e 40 anos’ da Amável Costa, o primeiro fez questão de viajar comigo até Lisboa e já ganhou fãs. Entre tanto vinho, destaco ainda os ‘Boina’ da Portugal Boutique Winery, Nuno estás de parabéns os vinhos estão realmente muito bons!

O dia avançara e ainda faltava conhecer mais um produtor, a Colinas do Douro, uma apresentação sob os comandos do enólogo Jorge Rosa Santos que teve lugar no Museu do Côa. Uma noite magnifica com o Côa como pano de fundo, onde se destacaram o ‘Colinas do Douro Superior rosé’ elaborado a partir da casta Touriga Nacional e o ‘Colinas do Douro Verdelho’, dois vinhos que merecem o meu destaque. Despedidas feitas e a comitiva lá rumou a “casa” para o merecido descanso.

O último dia ficou marcado pelo regresso ao Museu do Côa, onde ficámos a conhecer pelas palavras da arqueóloga Dalila Correia, um pouco melhor este imenso Património da Humanidade que temos o privilégio de ter em Portugal. Pena o tempo voar nestas ocasiões e lá estávamos nós de regresso às curvas e contracurvas em direcção ao Poço do Canto-Mêda para conhecer Lucinda Todo Bom, e os seus vinhos. À nossa espera uma mesa farta e um leque alargado de vinhos. Se podia falar daquele cabrito assado no forno a lenha? Podia, mas não era a mesma coisa, pois não há dinheiro que pague estes pequenos prazeres da vida quando regados com néctares tão próprios de quem esteve sempre ligado à terra. Vou só deixar estas referências para memória futura, ‘Fraga Alta rosé’ de Tinta Barroca e ‘Quinta dos Romanos tinto 2007’, um verdadeiro luxo! Só posso deixar um grande obrigado à senhora Lucinda, ao senhor José e à Filipa pela simpatia e disponibilidade, e os parabéns ao Mateus Nicolau de Almeida pelo excelente trabalho desenvolvido.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Tempo de despedidas e agradecimentos por este fim-de-semana que perdurará por muito tempo na minha memória. Obrigado a todos!

 

rolhas

 

4 thoughts on “Foz Côa – Um Património Superior

  1. Como será possível falar bem de um vinho em que o próprio produtor andava a dar provas num copo com moedas de um cêntimo para disfarçar a redução do seu vinho??? Grandes provadores!

    1. Boa tarde Vitoria, antes demais obrigado pelo seu comentário e interesse no conteúdo aqui partilhado. Ficámos um pouco na dúvida sobre qual o vinho e produtor a que se refere, pode elucidar-nos?

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *